domingo, 29 de novembro de 2009

Vídeo: As Saúvas - Uma sociedade de formigas

As Saúvas - Uma sociedade de formigas from Jo Fava Alves on Vimeo.

As formigas habitam o planeta Terra há mais de cem milhões de anos. Apesar de pequenas e da aparente simplicidade, elas têm uma complexa organização social com um sofisticado sistema de divisão de tarefas.
Este vídeo mostra fenômenos e comportamentos que retratam a biologia e a ecologia desses insetos sociais.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Vídeo: As Saúvas - Uma sociedade de formigas

O vídeo "As Saúvas - Uma sociedade de formigas" já está disponivel no link abaixo. Clique, assista e divulgue!

http://www.vimeo.com/7646464

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Classificação

Reino Metazoa
 Filo Arthropoda
  Classe Insecta
   Ordem Hymenoptera
    Família Formicidae
     

quinta-feira, 2 de julho de 2009


Formigas- Insetos eusociais

A vida organizada em sociedade surgiu no Cretáceo, há 140 milhões de anos. As formigas, assim como os cupins, algumas abelhas e vespas, são insetos que apresentam hábitos eusociais. Isso significa que duas ou mais gerações se sobrepõem na sociedade, adultos cuidam de juvenis e são divididos em castas reprodutivas e não reprodutivas (as operárias). 


Vantagens em estudar as formigas saúvas (Gênero Atta)

As formigas são muito usadas em estudos sobre ecologia, comportamento e sociobiologia. As sociedades de saúvas são bons exemplos para o estudo de relações ecológicas e ilustração do ciclo de energia e matéria através dos níveis tróficos. Elas podem ser facilmente mantidas em laboratório e isso, atrelado à sua abundância em ambiente natural, principalmente no ecossistema de cerrado, facilitam a observação de eventos como a divisão de tarefas, a revoada, a fundação de uma nova colônia, o cuidado dos adultos com as formas jovens, o cultivo do fungo, cooperação entre indivíduos, procura e corte de material vegetal, defesa e limpeza da colônia. 

Organização da sociedade – cada uma desempenha uma tarefa


As formigas adultas não crescem, elas nascem com seu tamanho definitivo. É o tamanho do indivíduo que irá definir sua função na sociedade.

As tarefas desempenhadas podem ser divididas basicamente em quatro principais:

1- o cuidado do fungo e das formas imaturas exercida pelas jardineiras ou enfermeiras, que são as menores formigas da colônia;

2- generalistas, responsáveis por vários tipos de atividades dentro da colônia como a separação do lixo, preparação de vegetais a serem incorporados às espojas de fungo e a reconstrução das esponjas;

3- forrageadoras, responsáveis pela exploração do ambiente externo e a busca por material vegetal;

4- defensoras ou "soldados", responsáveis por repelir ações adversas contra o ninho, principalmente de outras formigas.

Outros estudos demonstram que em Atta, existe uma divisão de tarefas em sub-tarefas, de acordo com uma gradual variação do tamanho do corpo. Por exemplo, a implantação da folha no fungo envolve 4 estágios: sua chegada à câmara de fungo, dois estágios de corte de pedaços das folhas em partes cada vez menores e a inserção na esponja de fungo.

A questão da divisão de tarefas já foi observada em vários níveis da organização social do gênero, o que indica a alta complexidade deste fenômeno e sua diversidade, podendo variar entre espécies, na mesma espécie e numa mesma colônia.

Para fins didáticos, o vídeo “As Saúvas – Uma sociedade de formigas” apresenta as castas de acordo com o tamanho do corpo dos indivíduos e se baseia em mais de uma interpretação sobre a divisão de tarefas.

Saúvas – Formigas “Agricultoras”

As saúvas são dos poucos animais que cultivam seu próprio alimento. Por isso, comparadas ao homem, são chamadas de “agricultoras”. Ao contrário do que se imagina, elas não se alimentam das folhas: usam-nas para cultivar um jardim de fungo.

O fungo fornece alimento para as formigas e elas oferecem cuidado. No início do sauveiro, a rainha alimenta a primeira partícula de fungo com gotas fecais (ver “Ciclo de vida”). Com o surgimento da casta das cortadeiras, o fungo passa a ser cultivado com pequenos pedaços de vegetais que são implantados por operárias de cerca de 2mm, que compõe a casta das jardineiras. O fungo cresce e adquire um formato de esponja. As formigas evitam a formação do corpo de frutificação (conhecido por “chapéu”), pois não é comestível e caso se forme, pode dominar o restante do fungo.

Os dois organismos vivem numa relação de mutualismo, indispensável para a sobrevivência das duas espécies. 

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Ciclo de Vida- Revoada e fundação da colônia

A colônia de formigas é uma sociedade formada exclusivamente por fêmeas, exceto no período pré-nupcial, quando nascem os machos.

A reprodução das saúvas é um fenômeno altamente sincronizado. Quase todos os cruzamentos ocorrem num intervalo de cerca de uma semana, para todo o Estado de São Paulo (podendo ocorrer algumas variações dependendo do clima de cada região).

Em meados de outubro, num dia quente e ensolarado com fortes chuvas de véspera, centenas de içás e bitus (fêmeas e machos férteis e virgens) deixam os ninhos em que nasceram para encontrarem parceiros sexuais. Ambos são alados e ao saírem pelos olheiros, procuram um local alto, como um galho, e começam a aquecer a musculatura das asas para em seguida decolarem. Fazem então o vôo nupcial.

 

É no ar que ocorre a cópula e cada fêmea pode copular com até 5 machos.  Ao caírem no chão, os machos se unem numa sombra e morrem após algumas horas, enquanto as fêmeas, já fecundadas, procuram um local adequado no solo para iniciar a escavação da sua própria colônia. Ela livra-se das asas e em torno de 10 horas faz um canal inicial de aproximadamente 15 centímetros de profundidade que termina em uma pequena câmara.

A rainha inicia o cultivo de um pequeno pedaço de fungo de cerca de 1 milímetro, que trouxe do formigueiro de origem, alimentando-o com gotas fecais. Coloca os primeiros ovos que se transformam em larvas, pupas e então adultos. As primeiras operárias aparecem aproximadamente 60 dias após o vôo nupcial.

Desenvolvimento Holometábulo – Metamorfose completa



 

O desenvolvimento das formigas é holometábulo, caracterizado por metamorfose completa. Os ovos se desenvolvem em larvas, que não apresentam nenhuma semelhança com as formas adultas. Não possuem olhos nem apêndices apresentando formato de “grão de arroz”. São alimentadas pela casta das enfermeiras. Diferentemente das larvas de outros insetos holometábulos, não se movem.

Após uma única muda, surge o estágio de pupa. Neste estágio não há movimento ou alimentação e é quando as estruturas do corpo são reorganizadas e os órgãos sexuais são formados e então é atingido o estágio de adulto. À medida que a pupa se aproxima do estágio adulto, sua coloração torna-se mais amarelada. A formiga que acaba de se tornar adulta é também amarelada e com o passar do tempo, escurece.

Saúvas na História do Brasil


 

As formigas saúvas ou cortadeiras, do gênero Atta, são conhecidas principalmente pelos danos que causam à agricultura. Os formigueiros, contendo milhões de formigas, podem devastar plantações e causar prejuízos à construções civis. As saúvas são responsáveis por grande parte do consumo de folhas nas florestas neo-tropicais e savanas. Estudos recentes sugerem que aproximadamente um terço da biomassa animal da floresta amazônica terra firme é composta por formigas e cupins e que cada hectare de solo contém por volta de 8 milhões de formigas e 1 milhão de cupins. Ao lado de abelhas e moscas, esses insetos compõem mais de 75% de toda a biomassa de insetos existentes no mundo.

 

Aparecem na literatura desde o século XVI em relatos de expedições pelo Brasil no começo do período de colonização. Os jesuítas e viajantes já reportavam sobre as saúvas: “... das formigas porém, só aparecem dignas de menção as que estragam as árvores; as chamadas içás têm cor arruivada , esmagadas cheiram a limão, abrem grandes buracos no chão” das Cartas do padre jesuíta José Anchieta, 1560. 

Marechal Rondon, em 1788, escreveu: “As formigas vermelhas chamadas saúvas na língua do país são insetos formidáveis e só elas comem mais pastagens que os gados. O lavrador vê com seus olhos que em uma noite tosquiam todo um arvoredo, deixando-o incapaz de produzir frutos um par de anos”.

Importância ecológica


Apesar dos malefícios à economia e à agricultura brasileira, as formigas cortadeiras apresentam grande importância ecológica. O grande acúmulo de nutrientes e mudanças nas propriedades do solo próximo às colônias, parece beneficiar as plantas que crescem perto delas. As colônias de Atta  cortam grandes quantidades de folhas ricas em nutrientes de plantas que crescem a centenas de metros do sauveiro. Este material é concentrado no formigueiro quando implantado no fungo que cultivam em câmaras subterrâneas.

As saúvas têm um importante papel na ciclagem de nutrientes e no seu acúmulo no solo favorecendo o crescimento de plantas nas proximidades do sauveiro. 


Joana Fava Alves e Pedro Leite Ribeiro

Itirapina - SP